Atlas da Violência: Vitória é a segunda capital com maior taxa de homicídios do Sudeste

Segundo o levantamento do Ipea, a taxa de assassinatos na capital capixaba só é menor do que a do Rio de Janeiro. Mesmo assim, índice caiu 50% em 10 anos

Vitória é a segunda capital da Região Sudeste com a maior taxa de assassinatos, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. Mesmo assim, a taxa de homicídios na capital capixaba caiu pela metade em 10 anos. Os dados são do Atlas da Violência por municípios, feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

De acordo com o levantamento, Vitória tem uma taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes. Já na capital fluminense, a taxa é de 35,6. A pesquisa leva em consideração dados de 2017, quando aconteceu a greve da Polícia Militar no Espírito Santo. Por causa desse movimento, mais de 200 homicídios foram registrados no Estado somente em fevereiro daquele ano – o que contribuiu para a alta taxa na capital capixaba.

O Atlas da Violência indicou ainda que o município capixaba mais violento é a Serra, cuja taxa é de 65,2 homicídios para cada 100 mil habitantes. Na sequência, aparecem Cariacica (59,8), São Mateus (54,9), Linhares (49,5), Vila Velha (40,4), Guarapari (38,5), Vitória (30,6), Colatina (27,1) e Cachoeiro de Itapemirim (22,8).

Homicídios reduzidos pela metade

Apesar da elevada taxa de homicídios registrada em Vitória em 2017, o levantamento apontou uma redução de aproximadamente 50% nesse índice em 10 anos. Em 2007, a taxa de assassinatos na capital capixaba era de 60,4 por 100 mil.

Para o subsecretário de Integração da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), Guilherme Pacífico, vários fatores são responsáveis por essa queda. “Houve todo um trabalho da segurança pública, uma força-tarefa local de enfrentamento, envolvimento do Ministério Público, do Judiciário, das áreas de inteligência, diagnóstico. O município também se envolvendo nesse processo, com guarda municipal, tecnologias. Ou seja, a ideia é que, nesse monitoramento, a gente possa dar o remédio para cada local”, destacou.

O próprio coordenador de pesquisa do Ipea e responsável pelo Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, citou duas ações de governo no Espírito Santo que permitiram a redução de homicídios a partir de 2010: melhoria dos presídios e o programa Estado Presente.

“O sistema prisional no Espírito Santo tinha presos em contêineres e o Estado não tinha qualquer controle sobre aquela massa prisional. Em 2010, foi feito um saneamento e muito dinheiro foi investido para tornar o sistema prisional capixaba um dos melhores do Brasil. O segundo ponto importante é a mudança no trabalho de polícia. Em vez de ser a polícia simplesmente no policiamento ostensivo, passou a haver uma política da investigação da inteligência, em que se colocou como foco a prisão de homicidas contumazes”, ressaltou Cerqueira.

O Estado Presente funcionou de 2011 a 2014, durante a primeira gestão de Renato Casagrande como governador do Estado. O programa foi suspenso no governo passado e retomado no início deste ano. Atualmente ele é coordenado pela Secretaria Estadual de Planejamento, porque as ações vão além da segurança pública.

De acordo com o secretário estadual de Planejamento, Álvaro Duboc, o Estado Presente tem atuação em 102 bairros de 10 municípios capixabas, onde acontecem 74% dos homicídios no Espírito Santo.

“Fizemos levantamento lá em 2011 e percebemos que o Estado tinha uma escola para cada mil habitantes. Nesses bairros onde nós tínhamos indicadores mais elevados, nós tínhamos uma escola para cada 3 mil habitantes. Então estava muito claro para o Estado que nós precisávamos ampliar a oferta de ensino. A partir dessa percepção, o governador determinou que toda nova escola deveria ser construída nesses bairros”, frisou Duboc.

Redação Folha Vitória06 de Agosto de 2019 às 22:31Atualizado 06/08/2019 22:59:53

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