Pipa nas férias: brincadeira pode ser perigosa e causar prejuízos

Neste ano, mais de 80 mil clientes ficaram sem energia entre janeiro e junho por conta de pipas na rede elétrica.

As férias de julho chegaram e com elas a necessidade dos pais redobrarem a atenção para garantir a segurança dos filhos. Como boa parte das crianças fica sozinha em casa nesse período, é preciso estar atento aos riscos que os pequenos correm dentro e fora de casa. 

Por conta dos fortes ventos de julho, uma das atividades preferidas das crianças, adolescentes e até adultos nessa época do ano é empinar pipa. Mas para brincar de forma segura é preciso ter atenção e muito cuidado, principalmente quando o assunto é pipa e energia elétrica. 

Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), as pipas foram a quinta maior causa de mortes relacionadas a energia elétrica no país entre 2009 e 2017.

Algumas crianças contam que chegam a ficar o dia inteiro empinando pipa, e que só vão para casa quando “perdem” o brinquedo. “Se a pipa voar a gente corre atrás, vai buscar, sobe até em laje. O importante é buscar a pipa. É perigoso, mas a gente vai. Mas quando fica preso na rede elétrica a gente não pega, é muito perigoso, pode dar choque”, contou o estudante de 14 anos Yan Figueiredo.

Um acidente causado por descarga elétrica pode deixar sequelas como queimaduras e, em casos mais extremos, causar a morte. E, além dos riscos para a saúde, há o prejuízo para a sociedade. De acordo com informações da EDP, em 2018, somente nos meses de julho e agosto, mais de 72 mil clientes tiveram o fornecimento de energia interrompido por acidentes envolvendo pipas na rede elétrica.

Já em 2019, mais de 80 mil clientes ficaram sem energia entre os meses de janeiro e junho por conta da brincadeiras. Nesse ano, a EDP atendeu 396 ocorrências de pipas na rede elétrica. Quando isso acontece, as equipes da concessionária são deslocadas para realizar o reparo e a limpeza da rede danificada. 

O gestor executivo da EDP,  Lino Pedroni, explicou que, na maioria dos casos, a camada protetora da fiação é cortada pela linha da pipa e, por isso, o  fornecimento de energia elétrica é interrompido para a região. “Algumas vezes o dano é superficial, não chega a romper completamente o cabo. Mas com a chuva e umidade atingindo diretamente um fio danificado, pode acontecer um curto circuito e prejudicar o fornecimento de energia da região”, explicou.

Os riscos de curtos circuitos são graves, e os acidentes podem acontecer a qualquer hora do dia. Veja abaixo a explicação:

Lino Pedroni,  reforçou ainda a importância da prática segura da brincadeira. “Trabalhamos para restabelecer o fornecimento de energia o mais rápido possível, mas nossa preocupação maior é com a segurança. Sabemos que o cerol e a linha chilena ainda são muito utilizados e, por ser composto de pó de vidro, é também condutor de energia, podendo causar sérios acidentes com quem está brincando e com outras pessoas”.

Para garantir a segurança na hora de empinar pipas, o gestor da EDP pontuou dicas importantes. Confira:

O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Carlos Wagner Borges, reforçou o risco das linhas de pipa com cerol. “Por ter um material composto muitas vezes por ligas metálicas como pó de ferro, a linha pode acabar conduzindo eletricidade para a criança, o que pode levá-la a óbito em minutos”.

O ideal é que os pais orientem as crianças a manterem distância das redes elétricas, não permitindo, por exemplo, que elas subam em árvores que estejam próximas à fiação. Essa é uma preocupação constante da autônoma, Bruna da Penha Meirelles, mãe do Gabriel, de 14 anos. Ela conta que o filho gosta muito de soltar pipa, mas que procura orientá-lo sempre sobre os cuidados que precisa ter para evitar acidentes. 

“Eu fico sempre de olho, observando de longe. Falo pra ele ter cuidado com os postes, com a rede elétrica. Tenho medo porque esses jovens fazem de tudo pra correr atrás de pipa. Vejo meninos jogando coisas na fiação para soltar as pipas agarradas, falo com ele que isso é muito perigoso, não dá para correr riscos”, contou a mãe de Gabriel.

Outros riscos

Durante as férias o perigo não está só fora de casa. De acordo com o tenente-coronel, Carlos Wagner Borges, é preciso manter o diálogo com as crianças para evitar acidentes domésticos no período das férias. “Nesse período do ano aumenta o número de casos de acidentes registrados, e o mais importante é a prevenção, um diálogo entre os pais e os filhos, impondo limites e estabelecendo até onde a criança pode ir ou não”, explicou.

Ainda segundo o tenente-coronel, a falta de diálogo e limites faz com que a criança desenvolva uma curiosidade e acabe se expondo a situações de risco. “Quando não há esse diálogo, a criança em busca de aventura acaba inventando situações dentro do ambiente doméstico. Utiliza fogão de maneira inadequada, por exemplo, causando uma série de acidentes”, disse o coronel.

Para evitar problemas, a dica é que, dentro de casa, a criança não manuseie aparelhos elétricos com os pés descalços e molhados, já que água é condutora de energia. E que em espaços fechados, evite deixar fios e extensões expostas e mantenha tomadas sem uso tampadas e isoladas.

É preciso ter cuidado também com relação às quedas. De acordo com o coronel, são muito comuns nessa época do ano os acidentes envolvendo altura. “Muitas vezes a criança vai soltar pipa num terraço e, em um momento de desatenção, enquanto olha para cima, tropeça ou acaba caindo da altura. É preciso estar sempre atento aos riscos”, explicou.  

Redação Folha Vitória10 de Julho de 2019 às 11:58Atualizado 10/07/2019 11:58:16

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