Preço da gasolina no país vai ao maior nível desde novembro de 2018

Cálculos que mostram que cada ponto percentual de subida no preço da gasolina reflete em um acréscimo de 0,04% a mais no IPCA, índice que mede a inflação oficial.

Cenário político tenso e fatores econômicos internacionais elevaram o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras. O valor da gasolina é o mais alto desde o começo de novembro de 2018. O último reajuste, no dia 16 de março, foi de 1,5% e fez o valor do litro do combustível chegar a R$ 1,8326.

A alta nas refinarias se reflete nas bombas — e no bolso — dos postos brasileiros. Levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), feito de 24 a 30 de março, mostrava que o preço médio do litro de gasolina no país era R$ 4,362, o mais caro em quatro meses.

Se continuar em alta, a gasolina deve pressionar a inflação. O Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) tem cálculos que mostram que cada ponto percentual de subida no preço da gasolina reflete em um acréscimo de 0,04% a mais no IPCA, índice que mede a inflação oficial.

O ex-diretor da ANP e professor do Instituto de Energia da PUC-RJ Davi Zylbersztajn explica que o processo de composição do preço dos combustíveis no Brasil é “muito transparente” e que a desvalorização do real frente ao dólar somada à alta do barril de petróleo são os motivos da alta.

“A desvalorização do real pode sim encarecer a gasolina e o diesel no Brasil. Além disso, o preço do barril de petróleo está subindo”, acrescenta.

Na última quinta-feira (28), a cotação do dólar chegou a superar R$ 4, com incertezas sobre a reforma da Previdência e um cenário político tenso. A moeda norte-americana está no maior patamar desde agosto.

Os dois principais tipos de petróleo, WTI e Brent, estão 33% e 26% mais caros, respectivamente, do que em janeiro.

Há também questões internacionais pressionando o preço do barril de petróleo, como as sanções dos Estados Unidos contra o Irã e Venezuela, além de cortes de oferta liderados pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), segundo informações da agência Reuters.

O professor Ernani Torres, do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), acrescenta que um acordo entre Rússia e Arábia Saudita elevou o preço do barril de petróleo, mas que a enorme produção norte-americana tem equilibrado o mercado.

“Não espero que o preço internacional [do petróleo] suba muito mais do que isso. […] Mas no curto prazo, o Brasil tem sido afetado por essa alta do dólar gerada pela situação política, o que influencia também no preço do petróleo interno”, explica Torres.

A Petrobras ressalta que é responsável por apenas 31% do preço do litro da gasolina e que o restante é participação de outros agentes, como distribuidores e postos.

Zylbersztajn pondera que o governo não tem como conter a alta, uma vez que a única maneira que teria para isso seria abrir mão de impostos, o que aumentaria ainda mais o rombo das contas públicas.

“O consumo de combustível poderia ser mais eficiente nessas horas. Você olha para as ruas e é praticamente uma pessoa por carro. É nessas horas que as pessoas precisam usar a criatividade”, diz o professor.

Confira o preço médio do litro da gasolina nos estados brasileiros:

• Acre: R$ 4,818

• Alagoas: R$ 4,479

• Amapá: R$ 3,998

• Amazonas: R$ 4,327

• Bahia: R$ 4,576

• Ceará: R$ 4,563

• Distrito Federal: R$ 4,313

• Espírito Santo: R$ 4,407

• Goiás: R$ 4,312

• Maranhão: R$ 4,322

• Mato Grosso: R$ 4,478

• Mato Grosso do Sul: R$ 4,066

• Minas Gerais: R$ 4,645

• Pará: R$ 4,494

• Paraíba: R$ 4,045

• Paraná: R$ 4,184

• Pernambuco: R$ 4,281

• Piauí: R$ 4,593

• Rio de Janeiro: R$ 4,801

• Rio Grande do Norte: R$ 4,418

• Rio Grande do Sul: R$ 4,588

• Rondônia: R$ 4,524

• Roraima: R$ 3,978

• Santa Catarina: R$ 4,134

• São Paulo: R$ 4,109

• Sergipe: R$ 4,423

• Tocantins: R$ 4,510

*Com informações do Portal R7

Redação Folha Vitória

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