UM TRIBUTO A QUEM MERECE

 

            O brasileiro não gosta de pagar tributos — impostos, taxas e contribuições — e há fundadas razões para isto. A carga tributária que suportamos no Brasil é extorsiva, o produto dessa arrecadação é mal e parcamente utilizado e, frequentemente, desviado por políticos e governantes inescrupulosos.

            Para finalizar, também não vemos que esse volume absurdo de dinheiro que nos tomam, pela força de uma legislação fiscal draconiana, seja revertido na prestação de serviços públicos essenciais, aos quais a sociedade teria direito, pela quantidade de recursos que entrega compulsoriamente ao Estado, a cada dia, a cada mês e a cada ano.

            Na situação a que chegamos, sob a ótica do contribuinte, educação, saúde, segurança, saneamento, transporte, infraestrutura e previdência, são exemplos de algumas áreas que os governos deveriam tratar com especial cuidado e de serviços que estão obrigados a proporcionar à população com absoluta qualidade.

            Mas não é isso o que acontece e a má gestão do que arrecada — à margem da corrupção desenfreada e dos privilégios para uma minoria — sangra os recursos públicos e reforça, no imaginário dos brasileiros, a ideia de que pagar impostos é uma coisa ruim e de que sonegar é um mecanismo válido para escapar à extorsão tributária. Por tudo isto é que o pagamento de tributos, mesmo para quem o faz com correção, não é algo que deixe aos brasileiros o sentimento de que estão contribuindo para o bem comum.

            No entanto, acabo de receber pelo correio o boleto do único tributo que pago com satisfação, pela grandeza e abrangência do trabalho que ele deveria ajudar a manter: a taxa de incêndio. Embora sabendo que esse tributo não é integralmente destinado à manutenção dos serviços que justificam o seu lançamento, porque, uma vez arrecadado, cai na vala comum dos tesouros estaduais. Mas vale pelo seu significado!

            Espantoso, contudo, como algumas pessoas se insurgem contra essa taxa, como se fosse algo moralmente injustificável. E as alegações, para isto, são as mais diversas e, por vezes, inacreditáveis, como, por exemplo: “Que serviço os bombeiros fazem, se não houver incêndio? Prevenção? Fazem visitas periódicas? Tem hidrômetros em toda cidade? Prá que o IPTU?”

            Os argumentos são de uma imbecilidade singular! Porque, mesmo as pessoas mais desinformadas são capazes de perceber a diversidade de situações em que a ação dos bombeiros é requerida: combate a incêndios, resgate de pessoas vivas ou cadáveres em acidentes e tragédias, resgate e socorro de animais, captura de animais silvestres para devolvê-los à natureza, orientação e prevenção de sinistros, etc., etc. etc.

            Os bombeiros militares não são, apenas, profissionais dedicados, que prestam serviços essenciais e estratégicos à sociedade. São servidores públicos que realizam um trabalho verdadeiramente heroico em benefício da população.

            Portanto, contribuir para a sua manutenção deveria ser um motivo de satisfação e orgulho, para todo e qualquer cidadão, que enxergasse um palmo adiante do nariz!

Wagner Fontenelle Pessôa

 

HOMENAGEM – HERÓIS

1 Comment

  • Wagner Fontenelle Pessôa

    (29/03/2019 - 10:01)

    Parabéns pela forma como foi feita a postagem e, por evidente, pela iniciativa de trazer à pauta um assunto dessa importância! Como já tivemos a oportunidade de conversar, para essa corporação maravilhosa, que são os bombeiros, todo e qualquer reconhecimento é pouco!

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