Especial Mente e Corpo: obesidade deve atingir 700 milhões de pessoas até 2025

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada oito adultos, em todo o planeta, sofre com a doença.

A correria do dia a dia e a falta de tempo são as principais desculpas para não se alimentar bem, se render ao sedentarismo e levar uma vida desregrada e nada saudável. Se não deu tempo de almoçar, passa no fast-food. Se chegou cansado do trabalho, prepara aquele macarrão instantâneo mesmo e está tudo certo. Se tem elevador, nada de escada. E ir ao supermercado a pé então? Nem no sonho!

Esses hábitos são muito mais comuns do que se imagina e embora facilitem a vida um tanto nos momentos de pressa, é lá na frente que as consequências começam a surgir e abrem espaço para um dos maiores problemas da atualidade: a obesidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada oito adultos, em todo o planeta, sofre com a doença, considerada um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Daqui a seis anos, em 2025, a projeção é de que cerca de 2,3 bilhões de pessoas tenham excesso de peso. Dessas, mais de 700 milhões devem se tornar obesas.

E os números revelam mais: no período de 2007 a 2017, a obesidade aumentou 110% entre os jovens, segundo os dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados pelo Ministério da Saúde no ano passado. Nas outras faixas etárias, o índice foi quase o dobro da média, registrando 60%. Quanto ao sobrepeso, a média de ampliação foi de 26,8%, sendo maior também entre os jovens.

São vários fatores que colaboram para o excesso de peso e, inclusive, um dos principais já não é mais segredo para ninguém. A nutricionista da Royal Care, Ana Cecília Ferreira Mendes, reforça que os alimentos ricos em calorias e com alto teor calórico são os grandes ‘vilões’ a boa alimentação.

“Nós temos acompanhado nas últimas décadas o crescimento da obesidade entre adultos e a obesidade infantil também tem crescido bastante. Normalmente é multifatorial, mas as principais causas são o estilo de vida sedentário e a dieta com hábitos inadequados, aquelas não saudáveis, com excesso de alimentos ricos em caloria, industrializados, fast-foods e bebidas de alto teor calórico.”

A médica endocrinologista, estudiosa da Medicina do Estilo de Vida e professora da Multivix, Marina Pazolini, explica que todos esses maus hábitos não são de hoje. Eles tiveram início lá no Século XIX , logo após a Revolução Industrial, e cresceram ainda mais com o passar dos anos.

“Com o advento da revolução industrial, houve uma mudança importante na estrutura da nossa sociedade. Uma maior oferta de alimentos altamente calóricos com baixo valor nutricional, o maior tempo de sedentarismo, onde a máquina substituía o homem, além do excesso de informação e trabalho,  elevando o nível de estresse. Esses elementos levaram a um aumento importante das doenças crônicas relacionadas ao estilo de vida. Nunca tivemos índices tão altos de obesidade na nossa sociedade como temos atualmente, bem como diabetes e hipertensão arterial. E todas essas doenças, têm como ponto comum os maus hábitos de vida.”

Antes de começar a mudança e adotar um novo estilo de vida, é necessário descobrir o grau da obesidade. Para isso, basta calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), reconhecido como padrão internacional de avaliação do sobrepeso e obesidade. Ele pode ser feito em casa mesmo, mas é fundamental procurar também um especialista.

Foto: Divulgação/OPAS

“O IMC é calculado dividindo o peso pela altura ao quadrado. Quando ele está entre 25 e 29 é considerado sobrepeso. Quando está acima de 30, já é obesidade. Depois de saber o resultado, uma das formas de conseguir reduzir o peso é a mudança de hábitos. Para quem está acima do peso, o ideal é procurar orientação de profissionais mas, de imediato, algumas mudanças na alimentação já podem ser feitas, como o consumo de alimentos naturais, as frutas, os legumes, as verduras. Além disso, praticar atividades físicas também. E é interessante fazer isso para prevenir as doenças da obesidade, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.”

MÉTODO ALIADO NA PERDA DE PESO SAUDÁVEL
O processo de emagrecimento para quem está acima do peso é muito importante, mas também difícil. Mudar a forma de se alimentar e os hábitos adquiridos ao longo de toda uma vida, exige muita disciplina e dedicação, principalmente quando os resultados demoram a aparecer e o desânimo chega no meio do caminho.

Geralmente, é nessa hora que muitas pessoas recorrem às famosas ‘dietas milagrosas’, que prometem eliminar até 10 kgs em um mês e representam um risco enorme para a saúde. Mas essa não é a única alternativa, não! Diferente das dietas perigosas e cheias de restrições, um método inovador tem feito sucesso e propõe justamente o que todo mundo procura: uma perda de peso rápida e saudável.

Foto: arquivo pessoal

A biomédica esteta, Patrícia Prezotti, explica que o grande diferencial do Método 5S, como é chamado, é que ele é feito não só com uma dieta, mas também com reeducação alimentar e tratamentos estéticos, responsáveis por intensificar a queima de gordura e oferecer resultados ainda melhores.

“É um estilo de vida saudável. Temos uma equipe formada por médicos, farmacêuticos, nutrólogos, nutricionistas e as clínicas credenciadas, como a minha, oferecem tratamentos estéticos para promover a lipólise e dar todo o suporte. Dentro do Método 5S, passamos por três fases: a perda, a manutenção e a reeducação. Nós não podemos liberar o paciente somente na fase de perda porque ele tem que manter aquele peso e tem que fazer uma reeducação alimentar para se adaptar a um novo estilo de vida.”

NA CONTRAMÃO DA OBESIDADE: BULIMIA E ANOREXIA
Muitas vezes, a necessidade de eliminar alguns números na balança pode acabar virando uma obsessão. Com o padrão de ‘corpo ideal’, ainda imposto pela sociedade e disseminado nas redes sociais, os distúrbios alimentares também se tornam um grande problema. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos NIMH), cerca de 70 milhões de pessoas sofrem com distúrbios relacionados à alimentação em todo o mundo. Entre eles, estão a anorexia e a bulimia nervosa, reconhecidos pela OMS e classificados como doenças mentais.

Para a psicóloga da Medsênior, Roberta Caliari, as pessoas que sofrem de transtornos alimentares se enxergam de uma forma diferente do que realmente são. Ela destaca que a busca em ser aceito e atender os desejos impostos pela sociedade é o principal fator.

                                                          Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

 

“Segundo Abordagem Centrada na Pessoa, que é uma das abordagens da psicologia na pessoa com transtornos alimentares ocorre um distanciamento, uma incongruência, entre a forma que ela se percebe e como ela de fato é. Essa percepção tem relação com o contexto em que essa pessoa está inserida. Pensando então que vivemos em uma sociedade onde é preciso consumir e ter, sejam materiais ou corpos ideais, para terem uma identidade e serem aceitas no meio, as pessoas entram numa constante busca em atender os desejos impostos. E por estarem distantes de si, acabam adoecendo, apresentando mecanismos de defesas para dar conta desse modo exacerbado.”

No tratamento das pessoas que sofrem com distúrbios alimentares, a especialista esclarece que há um conjunto de fatores que precisam ser analisados. Ela destaca ainda que depois da fase da aceitação, a pessoa deve ir em busca do que é mais saudável para ela, não do ‘corpo perfeito’.

“Há um conjunto de fatores que precisam ser investigados nessa pessoa, como por exemplo, compreender a forma que ela se percebe, compreende seu contexto e suas relações. O que pode contribuir para a pessoa resgatar a autoestima e viver e compreender os processos adoecedores é a busca de autoconhecimento. Se compreender, se aceitar e entrar em acordo interno contribui para a pessoa ir em busca do que é mais saudável para ela, e não ir em busca do corpo perfeito ditado na sociedade.”

Thaiz Blunck

Redação Folha Vitória

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